quinta-feira, 6 de agosto de 2009

For the last time

Emoções? Coisas legais? Ás da Ironia dot Blogspot dot Com.

Eis então que sou uma pessoa sociável. Eis então que a vida está fácil para mim e que por alguns dias, eu estive vivendo momentos de ouro. Eis então que estou num poço tão fundo, que não posso arriscar sequer olhar para cima. Nunca pensei, planejei ou quis que a vida fosse fácil e, agora que ela o é, eu piro. Completamente maluco. Legal, não é? Muito legal e sequer estou bêbado. 

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Ele olhava com o olhar vago de um viajante para a lua que acabara de se mostrar por entre as nuvens. Em seus lábios, um cigarro amassado crepitava silenciosamente entre breves tragadas com um leve aroma de menta. Ou seria cravo? Sua mente estava longe demais para decidir.

Estava sentado na janela, com uma perna esticada e a outra caída pelo que seriam dois andares de excruciante dor e que provavelmente não renderiam nada além de algumas escoriações. Em uma mão, ele tinha seus sonhos, seus planos... E na outra, ele carregava uma caixa de fósforos e, naquele momento, ele não fazia idéia de qual das mãos carregava seu bem mais precioso.

A vida o deixava da mesma forma com que o cigarro virava cinzas ao vento. Com o abrir lento da mão esquerda, ele deixou que seus sonhos fugissem. Com o abrir da mão direita, ele abraçou o seu destino de ter uma vida curta.

Ele jamais pedira uma vida simples. Nunca esteve acostumado com as coisas fáceis da vida e jamais sequer planejara passar dos 16 ou 18 anos. Seus sonhos acabou há muito tempo, quando ele entrou na universidade. Seus planos iam até o próximo cigarro ou até a lua sumir de vista novamente: O que viesse primeiro estava bom.

E como os outros o viam. Olhavam para ele como se ele não tivesse problemas, como se a vida lhe fosse fácil e, desta forma, fosse exatamente o que ele queria. Mentira. A vida fácil era sua maior punição. Graças a isso, ele sempre sentiu conforto nas teorias apocalípticas envolvendo 2012: Se o mundo acabasse, ele não precisaria viver e ainda assim ainda teria uma chance...

Chance do que? Ingressar no paraíso como se fosse tão simples quanto um vestibular? Ele sequer via um paraíso em algum lugar. Perdera esse direito logo no meio de sua vida, da mesma forma com que perdera nas outras vidas, apenas não fora longe demais desta vez. Seria esse o seu erro?

Gostava de se sentir único e de se dizer um conhecedor da ritualística do universo, mas, mesmo sabendo de tantas coisas, poucos fios o seguravam àquela vida. Ele viera de tão longe, de tão profundo, após anos de exílio, apenas para viver uma vida fácil?

Seus problemas eram exatamente a solução para os problemas de todos os outros. Sempre fora bom em concertar os outros, mas jamais se abrira com ninguém, exceto para papéis e pessoas que não davam a mínima para o que sentia. Aliás, ele era uma pessoa feita por momentos. Lembrava de todos que um dia conhecera, mesmo que fossem rostos sem nomes. Mais ainda: Ele guardara até as mais ínfimas ações como quem protege um tesouro.

Ele via seu túmulo. As pessoas, em volta, perguntam por que ele fizera tal crueldade "com um corpo e uma mente tão sãos"... O quão distantes dele ele mantinha as pessoas? O qual distante. Por uma última vez, ele olha para a lua. Pela última vez, ele acende outro cigarro e, pela última vez, ele voa para a escuridão.


quinta-feira, 30 de julho de 2009

Nada...

Este é mais um texto pessoal e sem graça. Toda a ação está no blog "O Ás da Ironia". Saia daqui.

O tempo se arrasta e minha alma sabe que apenas espero o fim dos dias e se vivo hoje, é pelo fim do amanhã e pela ausência de um ontem memorável. Acredito sinceramente no fim da existência terrena como conhecemos e por isso, guardo minhas cartas mais poderosas para a última jogada humana.

Não digo que sou especial, ou que eu sobreviveria. Apenas digo que vejo o mundo de tal forma, que me sinto privilegiado. Os leitores deste extinto blog já me perguntaram o que eu sei e eu sempre disse que não é nada demais, apenas uma percepção diferente.

Por algum motivo que desconheço, as antigas magias voltaram a me atrair. Alias, talvez fosse pela perspectiva que elas me dão da realidade, permitindo-me ver além dos véus dos métodos mais cômodos e mais simples.

Talvez eu esteja cego pelo orgulho ou talvez, mais provável, completamente maluco... Mas nunca esperei que alguém entendesse ou manifestasse qualquer interesse. Sou apenas um cara com idéias diferentes e gostos culturais estranhos.

Este texto mostra-me tão mais alto do que realmente estou que minha vontade imediata é de destroçá-lo, mas sabe o leitor que nunca faço isso. Na verdade, sinto-me mal, diferente... Cansado da vida mundana, procurando novas ações e novas cenas. O problema de todas as drogas é que após algum tempo, o efeito fica menor e, no meu caso, livros e jogos realistas não mais me fazem ir tão longe quanto antes.

Acho que estou ficando velho...

Darvius, o Bardo Louco

sábado, 20 de junho de 2009

I wanna go home

Essa postagem é pessoal. Se quer ler alguma coisa, vá para o ás da ironia.

Sinto me vazio de novo. Muitas coisas para fazer, pessoas dependendo de mim... Não tenho vontade de fazer nada. Quero fugir, ir para bem longe e gritar minha vergonha. Tenho tudo que alguém pode um dia ter sonhado, porém, quanto mais tenho, menos tenho.

Estou triste sem motivos, não dei um sorriso, uma única risada no dia todo, que passei olhando blogs de "humor". Estou imune à doença do riso? Apenas quero fugir. Ir para Londres, viver a vida de Constantine, ir para o inferno viver a aventura de Dante, ir para Arton, contar as histórias de Darvius... Um escapismo sem fim.

As horas voaram e parece que hoje eu nunca saí da cama. Não consigo sentir nada, me sinto emocionalmente parado no tempo. A fome me atacou e o que eu comi teve gosto de nada. Só quero ir embora!

I wanna go home! Take of this uniform and leave the show...

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Mais um dia...

Se você quer ler alguma coisa, vá para asdaironia.blogspot.com. Isso daqui não é da sua conta.

Há quanto tempo não escrevo aqui... O tempo passa mais rápido quando se esquece do se sente. As coisas à minha volta mudaram tanto, que é inacreditável que eu tenha voltado aqui, no centro de minhas memórias mais amargas.

Não posso dizer que a vida me é ruim, porém, é válido lembrar que a vida boa para os outros não necessariamente é a que mais me agrada. Mais uma vez tenho dúvidas e, no lugar da luz que me levou para um caminho bom, estou nas trevas.

A esperança foi substituída pelo medo sombrio de estar errado. Quem nunca esteve errado? Meu tempo passa rápido, tenho apenas alguns anos antes do fim e ainda tenho dúvidas se peguei o caminho certo.

Não que no fim faça alguma diferença. A faculdade é para mim, algo muito além do que ela realmente é. Ela é uma canalizadora de conhecimento, uma focalizadora de mentes. Porém, sabe-se que eu não sou do tipo que se focaliza em coisas mundanas.

Minhas fixações aqui são frívolas, "coisas da vida". Estou tão errado assim? Há três anos escolhi o melhor, porém, agora começo a questionar se fui longe demais com o meu livre-arbítrio e fugi além do que me era permitido fugir da história.

Meu destino não foi traçado, porém, a falta de vida e de magia dos meus dias me faz pensar onde eu errei. No fundo, estou preocupado, triste e bem perto de explodir de novo... A terceira explosão em um ano só pode significar o pior.

Aqui, vivemos um dilema: O que se faz é pouco e o que não se faz é muito. Lembro de quando isso não me afetava e tudo parecia um filme, onde eu sequer era o ator principal. Lembro também de quando eu conseguia tapar feridas com palavras e calor... Tempos distantes agora.

Neste momento, mais do que nunca, me sinto completamente distante de quem sou. Não mais me vejo no horizonte e pior: as vezes vejo apenas flashes do que eu poderia ser. O meu controle sobre mim mesmo é tão diminuto, que agora sedo à qualquer vontade.

As coisas mudam, alias, são feitas para mudar. Já eu, não. Eu não deveria mudar. Não deveria me preocupar com esses anos que voam por mim. Agora, não só me preocupo como tenho dúvidas. A mágica do último recurso não me parece nem de longe uma solução, o que pode alterar minha história para sempre.

Estou em uma crise de identidade, agravada por noites mal-dormidas, uma alimentação péssima, constantes mudanças de ambientes e uma ponta de depressão, que sempre me faz companhia nas noites mais geladas.

No fundo do meu ser, quero deixar tudo, dar tempo ao tempo e aguardar o fim triunfante. No meio do meu ser, quero apenas acabar o que comecei, concluir o curso no prazo, vencer os desafios e tudo que me é proposto. Na borda do meu ser, sou mais um na multidão de mortos-vivos que perambulam babando conhecimento falso por todo o mundo.

Não sei quanto tempo vou aguentar, preciso de ajuda. Agora.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

So far...

Salve pessoas... Alias, não há mais pessoas por aqui...

Talvez os deuses quiseram que eu não mais colocasse meus mais profundos e escuros sentimentos aqui, no circo de julgamento humano onde é mais fácil julgar a minha vida como uma exposição do que respeitar meus pensamentos.

O fato é que estou acabado. Minha mente se foi, minha concentração e meu calculismo se tornaram lendas de um livro vazio. Não mais sinto-me um ser pensante e não consigo fazer mais nada além de vagar.

Meus olhos estão mais vazios e meu corpo carrega as marcas de uma árdua luta pelo fim de uma existência condenada; Quero dormir, mas não quero mais acordar. Quero continuar em meus sonhos escuros porém, ainda assim, mais coloridos do que minha própria vida.

Quem sabe o que realmente sou? O mundo está acabando, algo me diz. Basta aguardar três anos e poderei ver o fim de meu maior fardo: A humanidade. Se somos dignos de viver? Não acredito. Como tudo, tivemos nossos tempo, porém, jamais provamos nada além de nossa insignificância.

As intimidades de uma pessoa são hoje o divertimento do próximo. Minha mente, nua às foices e tochas, não mais pode aguentar o choque de ter que lutar. Pedi a muitos, mas nenhum atendeu. Gritei nomes, evoquei seres... Mas por fim, não sou mais nada além de uma criança com medo e frio.

Darvius, o Bardo das Trevas

sexta-feira, 27 de março de 2009

Caro amigo lá de fora...

Resposta a um grande amigo... Pena que não seja a altura do mestre que ele é com as palavras. Um portal tão pequeno para um homem tão grande... Acontece.

Caro amigo lá de fora
Se te escrevo, passou da hora
De deixar de desistir.

Pensava na vida vivida,
nas almas levadas
e nas noites perdidas...

Tempo de horas felizes,
risadas melancólicas
solidões sem fim.

Talvez tudo valha à pena,
Mas há esta hora,
este trem já perdi.

Só penso nos dias mais cinzas
Nas sombras cortantes
dos becos sem fim.

Se sinto a perda dos dias,
minha vida vazia
guinadas a vir,

é porque gastei todo o tempo
roendo os longos momentos
de medos coesos

de perder tudo que me inspira,
de perder o vazio,
de não ver mais becos

de ler palavras lindas
sem ter emoção
ceder à razão

me tornar um exato
perdido em números
cercado de túmulos

de mentes passadas
de tempos vencidos
de rotas traçadas

perder a ânsia
do choro prendido
da escrita forçada

não escrever cartas,
não mais sonhar...
jamais imaginar

futuros distantes,
folhas caindo...
terras que voam...

Um dilema doído:
a felicidade da vida
ou os sonhos...

Sonhos demais, talvez seja isso...

Darvius Alexandros III
O Bardo Louco

quinta-feira, 5 de março de 2009

USP - 75 Anos

USP, Universidade de São Paulo.
Teu saber, de tão longe antigo,
um desejo por muitos já tido,
uma caixa aberta por poucos.

USP, tuas lutas, tão lindas...
Tuas árduas guerras vencidas
com o triunfo da vasta razão
sob as cinzas da escuridão.

USP, a quantos disseste:
Não me conheces, porém dize-me
que meu conhecimento é finito
que a ciência não vence.

USP, que de nós quer tanto...
quantos amores nos roubaste?
quantas noites nos tomaste?
quantas almas almejaste?

USP pela qual já lutamos
por um futuro de pleno conhecer
contra amarras de um tempo
de uma idéia vencida pelo saber.

USP, que para muitos é pouco,
uma mera miragem, longe horizonte
e para vários é uma vida,
possui alma e nos é querida.

USP, que nos faz meros nós
na corrente de Minerva,
que nos trás velhos ditados
já cantados por Sophia.

USP a qual amamos, sentimos,
lamentamos, lutamos, oramos,
prezamos, morremos, invejamos,
odiamos, assistimos, exaltamos.

USP - Universidade de São Paulo: Tão bela quanto sua história, tão misteriosa quanto seu símbolo, tão antiga quanto o desejo de saber dos homens. Parabéns por seus 75 anos.


Darvius Alexandros III

O Bardo das Trevas