Já dizia um de meus autores preferidos quanto ao universo:
1-Área: Infinita
O Guia do Mochileiro das Galáxias oferece a seguinte definição para a palavra : "Infinito":
Infinito: Maior que a maior de todas as coisas e um pouco mais que isso. Muito maior que isso, na verdade, realmente fantasticamente imenso, de um tamanho totalmente estonteante, tipo "puxa, isso é realmente grande!". O infinito é tão totalmente grande que, em comparação a ele, a grandeza em si parece ínfima. Gigantesco multiplicado por colossal multiplicado por estonteantemente enorme é o tipo de conceito que estamos tentando passar aqui
Ele dizia também que:
Se um dia alguém descobrir para que serve o universo e por que ele está aqui, ele desaparecerá instantaneamente e algo ainda mais estranho e improvável o substituirá.
Mas o principal e que sempre me tocou foi:
“O universo é grande. Grande, mesmo. Não dá pra acreditar o quanto ele é desmesurada, inconcebível, estonteantemente enorme. Você pode achar que da sua casa até a farmácia é longe, mas isso é café pequeno pro Universo.”
O universo foi concebido para o homem ou pelo homem? A diferença fundamental nessa pergunta é simples: Se não existisse vida no universo, ainda assim ele existiria?
O que quer que tenha tido o senso de humor para criar uma coisa tão bizarramente complexa como o nosso universo certamente pensou em habitá-lo: A parte mais legal de um feito é contá-lo para o próximo.
E assim, quando o grande criador (o grande lenço branco, ou deus, ou deuses, ou o que quer que seja) habitou o universo, ele passou à ser reconhecido como "O" cara. Veneraram ele, mataram o filho dele e até criaram guerras para decidir qual nome era o ideal para clamá-lo.
A inocência pode nos levar à crer até que o universo e esse "O" cara são os mesmos! Aí está o ledo engano. Se são os mesmos, então fomos concebidos pela natureza e não é possível que as coisas sejam tão simples assim. Alias, se fossem simples assim, neste exato momento, o universo estaria se contorcendo para parecer algo diferente.
O universo é uma ferramenta criada pelO cara. O universo deu condições para que a vida fosse concebida e que "O" cara pudesse se divertir às nossas custas. De qualquer forma, o universo não passa de uma réplica de nossas mentes. Tudo que existe, nós temos acesso e podemos editar, excluir, salvar... A grande vantagem foi manter o universo como um grande código fechado: Estável, seguro, porém com um alto preço por seus serviços.
Já dizia um outro CARA, alias, um Deus... Desculpa. Três Deuses em um, que o universo era um resultado direto de nossas concepções e de nossos pensamentos e vice-e-versa. A recursão anterior nos permite entender que o universo acontece em nossas mentes, porém, nós acontecemos ao mesmo tempo no universo. Confuso? E eu é que sou o louco.
Quando "O" cara fez o universo, ele quis ter certeza de que poderia criar centenas de raças, civilizações, bichos, fantasmas, robôs-com-37-vezes-a-idade-do-universo e administrá-los sem muito trabalho. Para isso, ele permitiu que nossas vontades fossem interpretadas e consumidas pelo próprio universo, que nos daria o que quer que desejássemos com maior intensidade.
Assim, "O" cara se veria livre de bilhões de pedidos por segundo e teria mais tempo para cuidar de seus outros universos mais importantes e bem feitos. O que Ele ("O" cara) não contava é que os humanos, justo a terceira raça mais capaz intelectualmente, fosse ter a grande idéia de trapacear o universo todo.
Vários humanos passaram à alterar o universo de acordo com sua vontade e, quanto maior essa vontade, maiores eram as alterações. Algumas leis do universo jamais puderam ser transpostas, porém, muito do impossível tornou-se possível.
Mas o que é realmente interessante nisso tudo é que, por mais que eu possa ter tudo que o universo me der à partir de sua manipulação, o que eu realmente mais desejo na atualidade está além das leis do próprio universo: Uma continuação para o fantástico "O guia do Mochileiro das Galáxias" do fabuloso Douglas Adams que, infelizmente, foi requisitado pelO cara para contar a maior história de todas as histórias que está escrita na sua "trilogia de quatro livros" no ano de 2001.
Uma pena que nem tudo no universo possa ser conseguido com uma toalha e uma velha bolsa de compras perdida há anos...
Darvius Alexandros III
O Bardo Louco
Sonata Arctica - Juliet
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
domingo, 24 de agosto de 2008
The old king
How can I save the soul of someone who is lost?
Is that my fate? Should I believe in your empty words?
Probably you are wrong...
But why you are that strong?
It's so though to resist... You say it, I shall make it happen.
Are you son of the king?
The true king who owns the old Gondor?
I'm falling toward your words, how can it be?
I only see shadows where you pass
and you still alive, so I'm wrong.
"I did my part, now it's your turn
and remember what you've promised."
You keep runing through the storm
I'll not follow.
You'll bring the Dark Age
I'll not buy it.
I'll wait the "Night fall"
"No sign of life did flicker
in floods of tears she cried"
Probably it will be all lost.
But I'm only a beginner
on the arts of the rules
maybe the next king
will tear down the walls
of you howled evil.
Darvius Alexandros III
O Bardo Louco
Is that my fate? Should I believe in your empty words?
Probably you are wrong...
But why you are that strong?
It's so though to resist... You say it, I shall make it happen.
Are you son of the king?
The true king who owns the old Gondor?
I'm falling toward your words, how can it be?
I only see shadows where you pass
and you still alive, so I'm wrong.
"I did my part, now it's your turn
and remember what you've promised."
You keep runing through the storm
I'll not follow.
You'll bring the Dark Age
I'll not buy it.
I'll wait the "Night fall"
"No sign of life did flicker
in floods of tears she cried"
Probably it will be all lost.
But I'm only a beginner
on the arts of the rules
maybe the next king
will tear down the walls
of you howled evil.
Darvius Alexandros III
O Bardo Louco
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
O Cego e A Louca
Oh bardo o que pensas sobre essa canção?
Vês ouro e intriga pela multidão?
Seremos os tolos que vão mensionar?
Vivemos por pouco, então à cantar.
Vês ouro e intriga pela multidão?
Seremos os tolos que vão mensionar?
Vivemos por pouco, então à cantar.
"Pois era o rei
o Cego então,
casado com a morte,
ardente paixão.
O cego não via
além de uma dama,
e o povo enfrentava
as mais duras chamas!
Mais uma maria (sic)
à governar,
suas mãos em sangue
o povo à queimar.
Quem dera as chamas
virassem canção!
Quem dera o povo
visse solução!
Matassem maria?
A morte outra vez?
Seria maria
sanguinária sem vez?
O rei nada via,
além de uma dama
e o povo enfrentava
as mais duras chamas!
O rei não podia
com a velha dama
e o povo morria
nas mais duras chamas!
Cantavam os bardos
mais de uma vez
maria, a louca
a dama da vez!
Contavam as trovas
dos tempos reais,
que as chamas azuis
brilhavam mais
Em vista da louca
e de seus vestais,
já que o rei não via
e o povo sofria.
O rei não sofria
com a dama da vez
mas o povo morria
nas chamas da lei!
O rei dos tolos,
maria, a louca,
o povo (oh povo)
os tolos da vez!"
Oh bardo se esperas
Nosso acreditar?
Maria? Louca? Ora vá!
Tão bela e inocente
O rei, tão valente!
Veras na história que errado estás!
Nosso acreditar?
Maria? Louca? Ora vá!
Tão bela e inocente
O rei, tão valente!
Veras na história que errado estás!
"O bardo não erra,
jamais ele errou,
veja na história
o que a dama aprontou."
jamais ele errou,
veja na história
o que a dama aprontou."
Darvius Alexandros III
O Bardo das Trevas
O Bardo das Trevas
Novo Trem
A Lua tão bela à noite brilhou
trazendo suas chamas para as almas vazias
que na noite, sentadas, faziam
serenatas buscando o sentido.
O trem que seguira pela escuridão,
seguindo o rumo da razão
seguia em frente, mas sem mostrar
o rumo que um dia viera à tomar.
As almas que cantam aguardam
pela vinda de um novo trem:
Ficaram pedidas lá fora
à lua, tão mais além.
Pois veja amigo (esboce um sorriso)
Nada mais parece correr,
a vida está certa (e mais que concreta)
já que eu perdi outro trem.
Darvius Alexandros III
O Bardo Louco
trazendo suas chamas para as almas vazias
que na noite, sentadas, faziam
serenatas buscando o sentido.
O trem que seguira pela escuridão,
seguindo o rumo da razão
seguia em frente, mas sem mostrar
o rumo que um dia viera à tomar.
As almas que cantam aguardam
pela vinda de um novo trem:
Ficaram pedidas lá fora
à lua, tão mais além.
Pois veja amigo (esboce um sorriso)
Nada mais parece correr,
a vida está certa (e mais que concreta)
já que eu perdi outro trem.
Darvius Alexandros III
O Bardo Louco
sábado, 9 de agosto de 2008
Amigo.
À um velho amigo, que não deve se lembrar de mim, mas que um dia inspirou minha vida.
Amigo,
Tanto lhe devo por tudo
que me envergonho em pensar
como dui te deixar
acusando-lhe de afundar
em lazarenta lama.
Hoje sou eu que peço
o que um dia pediste:
A desculpa por todo o tempo
que deixamos de passar.
Hoje vejo que errei
o barco que escolhi
não é o que tanto desejei;
Estavas tão certo como está.
Se um dia feri à você,
feri mais à mim,
alias, por você eu morri,
minha vida perdi para sempre.
Valeu a pena, me pergunto.
Valeu sim. Você não se lembra,
mas vivo estás: Tudo já vale.
Amigo se um dia veres
a veste que hoje uso
verás o fim que tomei com orgulho
e que a mortalha me cai bem.
Se me cai bem, mereço.
Se me faz mal, esqueço.
Mas sua vida vale,
é o que importa, o que prevalece.
Darvius Alexandros III
O Bardo das Trevas
Amigo,
Tanto lhe devo por tudo
que me envergonho em pensar
como dui te deixar
acusando-lhe de afundar
em lazarenta lama.
Hoje sou eu que peço
o que um dia pediste:
A desculpa por todo o tempo
que deixamos de passar.
Hoje vejo que errei
o barco que escolhi
não é o que tanto desejei;
Estavas tão certo como está.
Se um dia feri à você,
feri mais à mim,
alias, por você eu morri,
minha vida perdi para sempre.
Valeu a pena, me pergunto.
Valeu sim. Você não se lembra,
mas vivo estás: Tudo já vale.
Amigo se um dia veres
a veste que hoje uso
verás o fim que tomei com orgulho
e que a mortalha me cai bem.
Se me cai bem, mereço.
Se me faz mal, esqueço.
Mas sua vida vale,
é o que importa, o que prevalece.
Darvius Alexandros III
O Bardo das Trevas
domingo, 3 de agosto de 2008
Reascunho: Passagem para uma guerra
Caro leitor,
O conto que se segue possui um início mórbido e pode, literalmente, causar alguma aflição ao leitor. Trata-se apenas de um resumo de uma história de, no máximo, três partes. Confira se quiser, mas por favor, evite qualquer associação entre mim e meu personagem. Agradeço sugestões e correções.
.::::.
Exatos 21 anos. Bem mais do que ele nunca previra viver. Achara aqueles 20 anos uma eternidade até que decidiu fazer a coisa certa: Voltar para o lugar onde passara os últimos séculos.
Existe certo consenso entre a maioria das religiões de que o suicídio é talvez o crime máximo contra a existência e, de alguma forma, Leonard Gondorra sabia que nas últimas três vidas ele nunca havia passado dos 22 anos. Não seria nesta que ele contestaria um novo recorde.
Na Austrália, a vida era tão boa que, para alguém que enfrentara o inferno outras duas vezes, chegava a dar nos nervos. Ele se lembrava de tudo, sabia de muito mais do que boa parte do “restolho”, assim ele chamava os mortais à sua volta.
Sua mãe jamais notaria a sua falta: Provavelmente veria o seu quarto e pensaria “Por que não coloquei o meu escritório aqui antes?”. Seu pai fugira de casa há alguns anos, passando a morar com a nova amante em uma casa a algumas quadras. Essa era uma vida comum e Leonard odiava isso com todas as suas forças.
Ele jamais conseguira ou tentara entrar em uma universidade. Para se manter, ele fazia alguns bicos, podendo comprar o cigarro de cada semana e ainda sobravam alguns trocados para viajar com a banda.
Naquela manhã de março, ele se levantou e notou que seu celular vibrava incansavelmente, lembrando-lhe de seu aniversário. Desligando o celular, ele rumou até a janela, que abriu com o costumeiro estrondo. Olhando para a rua, nada mudara: Se aquela manhã piorasse de alguma forma, definitivamente era o fim.
Era uma quarta-feira, o dia de passear com os cães. Ninguém levaria a sério um rapaz que clama ter vivido no inferno e que hoje caminha com os cães pelas longas praias de Melbourne, porém, essa era a terapia maior que Leonard podia trazer para a sua alma. Os cães pareciam saber tanto quanto ele sobre a existência e sobre as vantagens de se manter vivo. Ele aprendera a valorizar as horas que passava falando sozinho, próximo aos cães.
Naquela tarde, ele parara próximo ao Apex Park, debaixo de uma das poucas árvores que ali havia e fez a sua proposta aos cães, como se dirigisse a alguém que lhe desse real atenção:
“Hoje cheguei ao meu limite. Para todos para quem eu posso contar, toda a minha vida parece perfeita, tudo parece tão certo quanto o futuro. Porém, cada dia, cada minuto, me dói tanto, que prefiro deixar para trás tudo que já conquistei a ter que acordar outro dia e encarar essa vida que não é minha.”
Um dos cães, um grande husky siberiano de olhar lupino que parecia odiar cada momento ao sol lhe olhava interrogativo. Ele notara o tom formal de seu discurso de despedida aos cães e sentia que a sua idéia era tola:
“Poxa, desse jeito, vou realmente continuar levando vocês para baixo e para cima! Não é essa minha vida! Nasci para ser muito mais do que sou. Talvez eu não tenha me esforçado muito, mas achei que a vida me devia isso... Estou abaixo até mesmo das expectativas de vocês!”
Pela primeira vez, nem mesmo os cães pareciam lhe entender. Leonard levantou, mirou por um instante a Rua Queen e, como se desse um duro adeus, voltou-se pesaroso para o caminho de volta à sua rua, por onde distribuiria cada um dos cães.
O fato é que a idéia da morte lhe parecia tão estranha quando estava de dia, que ele se sentia outro. Enquanto sua mente estava ocupada, parecia que ele não era capaz de entrar no mesmo ritmo da morte: Não havia clima para pensar no fim de sua existência.
O cair da noite, em seu quarto tremendamente organizado, ele começara a pensar. Seu computador estava ligado, tocando um leve rock australiano que ele realmente odiava ouvir enquanto pensava, mas ele não tinha animo de se levantar.
Em sua cabeça, uma voz dizia claramente: “Então? Como vai ser?”.
E ele sabia à que ela se referia. Era aquela noite e ele não podia falhar. Sua vontade era tanta, que ele sentia seu corpo mole, como se já estivesse morto. Pensava poder ouvir algumas vozes no fundo, com certa expectativa. Ele não tinha pensado em como seria. Ele não queria dar o trabalho de ser encontrado pela empregada que viria em dois dias, mas também não tinha ânimo de sair de casa.
Não queria se matar de uma forma clássica e sim da forma que mais lhe agradava. Ele sentia algo mórbido ao imaginar facas perfurando-lhe o pescoço. Sentia que era uma forma sem volta e que lhe pouparia de vários problemas. Antes mesmo de pensar sobre isso, uma voz grossa dizia com uma clareza assustadora: “Você ainda tem aquele bisturi roubado?”. Ele tinha.
Ele não se lembrava de como o bisturi fora parar em suas mãos. Sentia-se anestesiado com a idéia de seu momento final e gostava do tom solene em que a banda australiana agora cantava o refrão “I'm on the highway to hell”. Ele gostava da idéia, porém, a voz voltara: “Você está esquecendo-se de alguma coisa, não está?”. Estava.
Dias antes, quando passeava com os cães, achara uma faca. Na verdade, era um punhal longo em uma bela bainha de couro e estava cravado na areia, como um presente recém trazido pelas águas do pequeno oceano que os separavam do mundo. Aquela faca não lhe era estranha e por isso, ele guardou cuidadosamente até aquele momento.
Com a faca em mãos, lembrava-se de colocar a bainha na cintura e depois, subitamente, ele desmaiou. Inconsciente como seu próprio desejo de não acordar mais, ele ainda podia sentir tudo enquanto estava preso na escuridão mórbida do vazio. Sentiu seu pescoço todo formigando e por um momento, uma forte dor no peito foi seguida por um sentimento de tontura e atordoamento que se estendeu por horas em sua mente.
Após alguns minutos, ele percebeu que poderia abrir os olhos e assim o fez. Via seu quarto, porém, sobre a cama, estava um enorme volume negro como a noite que se fazia lá fora. Por alguns momentos, ele se sentiu perdido para no outro se sentir totalmente livre, como se acabasse de voltar a ser criança. Ficou no quarto por mais alguns segundos:
“And I'm going down all the way
On the highway to hell”
O pavor corroeu-lhe as veias: Eles viriam pegá-lo a qualquer instante. Tateando a bainha, notou que sua velha companheira estava lá, pronta para espetar mais alguns caras. O rapaz se se encostou à parede e aguardou pelos demônios que o levariam para as profundezas de onde jamais sairia.
A porta do quarto, apesar de fechada, fez um estrondo, movendo sua sombra de forma que, no plano em que Leonard agora se encontrava, ela deixasse passar três vultos humanos, que, com roupas negras de viajem, pararam diante o rapaz, que segurava seu punhal longo ameaçadoramente.
Uma mulher se adiantou, tirando seu capuz e mostrando uma face pálida, porém com um semblante belo como Leonard jamais vira. Com uma voz abafada, a jovem começou a ler um pergaminho que tirara de seu manto:
“Leonard Gondorra, com 22 anos, filho de Kassy Gondorra e de George Lindemburg, você acabou de tirar o bem mais precioso que lhe foi dado em toda a sua existência pela sétima vez durante toda a existência de sua alma. A punição para isso é claramente descansar nas profundezas do lugar maldito em companhia de seus semelhantes até se encontrar pronto e resignado o bastante para retornar a este mundo.”
Durante a breve pausa da jovem, Leonard protestou descontraidamente:
“Sou filho bastardo de um tal George?”
Sua mente ainda estava confusa e ele ainda tentava entender os novos conhecimentos que a liberdade sensorial lhe permitia acessar com seu cérebro etéreo. A jovem executora continuou:
“O julgamento para suicídio é feito por você mesmo e a sentença é igualmente decidida pelo possuidor do poder de apenas tirar a própria vida. Queira, por favor, seguir-me para o salão provisório de julgamento...”
Um homem negro, alto e hostil interrompeu a jovem, falando com uma voz grutual:
“O inferno está em guerra, Malignus. Não podemos esperar pelo seu descanso pré-julgamento. Precisamos de você agora!”
O terceiro vulto mostrou-se um homem de aparência animalesca, com olhos de enormes pupilas, e uma face com semblante lupino e agressivo. Sua voz soou como um rosnado:
“Ou você prefere que usemos o nome de Leonard?!”
E Malignus brotou em Leonard. Tudo agora fazia sentido. A voz que lhe matara, o cachorro com quem falava e até mesmo a garota dona do cão com quem já havia trocado olhares. Ele era necessário no inferno e a única forma de voltar para lá era usar de meios alternativos. Além de livre, ele era agora importante.
Darvius Alexandros III
O Bardo das Trevas
O conto que se segue possui um início mórbido e pode, literalmente, causar alguma aflição ao leitor. Trata-se apenas de um resumo de uma história de, no máximo, três partes. Confira se quiser, mas por favor, evite qualquer associação entre mim e meu personagem. Agradeço sugestões e correções.
.::::.
Exatos 21 anos. Bem mais do que ele nunca previra viver. Achara aqueles 20 anos uma eternidade até que decidiu fazer a coisa certa: Voltar para o lugar onde passara os últimos séculos.
Existe certo consenso entre a maioria das religiões de que o suicídio é talvez o crime máximo contra a existência e, de alguma forma, Leonard Gondorra sabia que nas últimas três vidas ele nunca havia passado dos 22 anos. Não seria nesta que ele contestaria um novo recorde.
Na Austrália, a vida era tão boa que, para alguém que enfrentara o inferno outras duas vezes, chegava a dar nos nervos. Ele se lembrava de tudo, sabia de muito mais do que boa parte do “restolho”, assim ele chamava os mortais à sua volta.
Sua mãe jamais notaria a sua falta: Provavelmente veria o seu quarto e pensaria “Por que não coloquei o meu escritório aqui antes?”. Seu pai fugira de casa há alguns anos, passando a morar com a nova amante em uma casa a algumas quadras. Essa era uma vida comum e Leonard odiava isso com todas as suas forças.
Ele jamais conseguira ou tentara entrar em uma universidade. Para se manter, ele fazia alguns bicos, podendo comprar o cigarro de cada semana e ainda sobravam alguns trocados para viajar com a banda.
Naquela manhã de março, ele se levantou e notou que seu celular vibrava incansavelmente, lembrando-lhe de seu aniversário. Desligando o celular, ele rumou até a janela, que abriu com o costumeiro estrondo. Olhando para a rua, nada mudara: Se aquela manhã piorasse de alguma forma, definitivamente era o fim.
Era uma quarta-feira, o dia de passear com os cães. Ninguém levaria a sério um rapaz que clama ter vivido no inferno e que hoje caminha com os cães pelas longas praias de Melbourne, porém, essa era a terapia maior que Leonard podia trazer para a sua alma. Os cães pareciam saber tanto quanto ele sobre a existência e sobre as vantagens de se manter vivo. Ele aprendera a valorizar as horas que passava falando sozinho, próximo aos cães.
Naquela tarde, ele parara próximo ao Apex Park, debaixo de uma das poucas árvores que ali havia e fez a sua proposta aos cães, como se dirigisse a alguém que lhe desse real atenção:
“Hoje cheguei ao meu limite. Para todos para quem eu posso contar, toda a minha vida parece perfeita, tudo parece tão certo quanto o futuro. Porém, cada dia, cada minuto, me dói tanto, que prefiro deixar para trás tudo que já conquistei a ter que acordar outro dia e encarar essa vida que não é minha.”
Um dos cães, um grande husky siberiano de olhar lupino que parecia odiar cada momento ao sol lhe olhava interrogativo. Ele notara o tom formal de seu discurso de despedida aos cães e sentia que a sua idéia era tola:
“Poxa, desse jeito, vou realmente continuar levando vocês para baixo e para cima! Não é essa minha vida! Nasci para ser muito mais do que sou. Talvez eu não tenha me esforçado muito, mas achei que a vida me devia isso... Estou abaixo até mesmo das expectativas de vocês!”
Pela primeira vez, nem mesmo os cães pareciam lhe entender. Leonard levantou, mirou por um instante a Rua Queen e, como se desse um duro adeus, voltou-se pesaroso para o caminho de volta à sua rua, por onde distribuiria cada um dos cães.
O fato é que a idéia da morte lhe parecia tão estranha quando estava de dia, que ele se sentia outro. Enquanto sua mente estava ocupada, parecia que ele não era capaz de entrar no mesmo ritmo da morte: Não havia clima para pensar no fim de sua existência.
O cair da noite, em seu quarto tremendamente organizado, ele começara a pensar. Seu computador estava ligado, tocando um leve rock australiano que ele realmente odiava ouvir enquanto pensava, mas ele não tinha animo de se levantar.
Em sua cabeça, uma voz dizia claramente: “Então? Como vai ser?”.
E ele sabia à que ela se referia. Era aquela noite e ele não podia falhar. Sua vontade era tanta, que ele sentia seu corpo mole, como se já estivesse morto. Pensava poder ouvir algumas vozes no fundo, com certa expectativa. Ele não tinha pensado em como seria. Ele não queria dar o trabalho de ser encontrado pela empregada que viria em dois dias, mas também não tinha ânimo de sair de casa.
Não queria se matar de uma forma clássica e sim da forma que mais lhe agradava. Ele sentia algo mórbido ao imaginar facas perfurando-lhe o pescoço. Sentia que era uma forma sem volta e que lhe pouparia de vários problemas. Antes mesmo de pensar sobre isso, uma voz grossa dizia com uma clareza assustadora: “Você ainda tem aquele bisturi roubado?”. Ele tinha.
Ele não se lembrava de como o bisturi fora parar em suas mãos. Sentia-se anestesiado com a idéia de seu momento final e gostava do tom solene em que a banda australiana agora cantava o refrão “I'm on the highway to hell”. Ele gostava da idéia, porém, a voz voltara: “Você está esquecendo-se de alguma coisa, não está?”. Estava.
Dias antes, quando passeava com os cães, achara uma faca. Na verdade, era um punhal longo em uma bela bainha de couro e estava cravado na areia, como um presente recém trazido pelas águas do pequeno oceano que os separavam do mundo. Aquela faca não lhe era estranha e por isso, ele guardou cuidadosamente até aquele momento.
Com a faca em mãos, lembrava-se de colocar a bainha na cintura e depois, subitamente, ele desmaiou. Inconsciente como seu próprio desejo de não acordar mais, ele ainda podia sentir tudo enquanto estava preso na escuridão mórbida do vazio. Sentiu seu pescoço todo formigando e por um momento, uma forte dor no peito foi seguida por um sentimento de tontura e atordoamento que se estendeu por horas em sua mente.
Após alguns minutos, ele percebeu que poderia abrir os olhos e assim o fez. Via seu quarto, porém, sobre a cama, estava um enorme volume negro como a noite que se fazia lá fora. Por alguns momentos, ele se sentiu perdido para no outro se sentir totalmente livre, como se acabasse de voltar a ser criança. Ficou no quarto por mais alguns segundos:
“And I'm going down all the way
On the highway to hell”
O pavor corroeu-lhe as veias: Eles viriam pegá-lo a qualquer instante. Tateando a bainha, notou que sua velha companheira estava lá, pronta para espetar mais alguns caras. O rapaz se se encostou à parede e aguardou pelos demônios que o levariam para as profundezas de onde jamais sairia.
A porta do quarto, apesar de fechada, fez um estrondo, movendo sua sombra de forma que, no plano em que Leonard agora se encontrava, ela deixasse passar três vultos humanos, que, com roupas negras de viajem, pararam diante o rapaz, que segurava seu punhal longo ameaçadoramente.
Uma mulher se adiantou, tirando seu capuz e mostrando uma face pálida, porém com um semblante belo como Leonard jamais vira. Com uma voz abafada, a jovem começou a ler um pergaminho que tirara de seu manto:
“Leonard Gondorra, com 22 anos, filho de Kassy Gondorra e de George Lindemburg, você acabou de tirar o bem mais precioso que lhe foi dado em toda a sua existência pela sétima vez durante toda a existência de sua alma. A punição para isso é claramente descansar nas profundezas do lugar maldito em companhia de seus semelhantes até se encontrar pronto e resignado o bastante para retornar a este mundo.”
Durante a breve pausa da jovem, Leonard protestou descontraidamente:
“Sou filho bastardo de um tal George?”
Sua mente ainda estava confusa e ele ainda tentava entender os novos conhecimentos que a liberdade sensorial lhe permitia acessar com seu cérebro etéreo. A jovem executora continuou:
“O julgamento para suicídio é feito por você mesmo e a sentença é igualmente decidida pelo possuidor do poder de apenas tirar a própria vida. Queira, por favor, seguir-me para o salão provisório de julgamento...”
Um homem negro, alto e hostil interrompeu a jovem, falando com uma voz grutual:
“O inferno está em guerra, Malignus. Não podemos esperar pelo seu descanso pré-julgamento. Precisamos de você agora!”
O terceiro vulto mostrou-se um homem de aparência animalesca, com olhos de enormes pupilas, e uma face com semblante lupino e agressivo. Sua voz soou como um rosnado:
“Ou você prefere que usemos o nome de Leonard?!”
E Malignus brotou em Leonard. Tudo agora fazia sentido. A voz que lhe matara, o cachorro com quem falava e até mesmo a garota dona do cão com quem já havia trocado olhares. Ele era necessário no inferno e a única forma de voltar para lá era usar de meios alternativos. Além de livre, ele era agora importante.
Darvius Alexandros III
O Bardo das Trevas
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