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sexta-feira, 15 de agosto de 2008

O Cego e A Louca

Oh bardo o que pensas sobre essa canção?
Vês ouro e intriga pela multidão?
Seremos os tolos que vão mensionar?
Vivemos por pouco, então à cantar.

"Pois era o rei
o Cego então,
casado com a morte,
ardente paixão.

O cego não via
além de uma dama,
e o povo enfrentava
as mais duras chamas!

Mais uma maria (sic)
à governar,
suas mãos em sangue
o povo à queimar.

Quem dera as chamas
virassem canção!
Quem dera o povo
visse solução!

Matassem maria?
A morte outra vez?
Seria maria
sanguinária sem vez?

O rei nada via,
além de uma dama
e o povo enfrentava
as mais duras chamas!

O rei não podia
com a velha dama
e o povo morria
nas mais duras chamas!

Cantavam os bardos
mais de uma vez
maria, a louca
a dama da vez!

Contavam as trovas
dos tempos reais,
que as chamas azuis
brilhavam mais

Em vista da louca
e de seus vestais,
já que o rei não via
e o povo sofria.

O rei não sofria
com a dama da vez
mas o povo morria
nas chamas da lei!

O rei dos tolos,
maria, a louca,
o povo (oh povo)
os tolos da vez!"

Oh bardo se esperas
Nosso acreditar?
Maria? Louca? Ora vá!
Tão bela e inocente
O rei, tão valente!
Veras na história que errado estás!

"O bardo não erra,
jamais ele errou,
veja na história
o que a dama aprontou."

Darvius Alexandros III
O Bardo das Trevas

domingo, 11 de maio de 2008

Andava o bardo.

Andava o bardo, à noite a assistir
o ir e o vir deste povo passar
e via e ria de tudo, a cantar
as belas donzelas que via passar.

Dançava aos poucos pedindo perdão
sempre derrubando o seu chapéu no chão.
Olhava a todos com os dentes a mostrar
sorrindo alegre na noite a pular.

Pois era o bardo que se pôs a ver
que àquele mundo não ia temer.
Era o tal bardo que se pôs a pensar
e viu que o céu já não estava lá.

"Todos eram cegos", dizia a canção
vista por todos como sem razão
"Não existe céu", tentava rimar
e outros, sem graça, entravam ao lar.

Zombava os santos de tantas paixões,
"O Satum Oficium não possui razão"
Batia o alaúde para palmas ganhar
do povo tão cego que via passar.

Seu dia bem longo de celebração
levou-lhe à noite para a escuridão.
Com calma e deleite passou a escrever
tamanhas loucuras, não queria ler.

Escrevia o bardo sobre o que pensava
enquanto à lua sua mente andava.
Tentava lembrar o nome de alguém
para no escuro escrever mais além.

O bardo pensava no todo existir
nos falsos céus e em tudo o que viu.
Seus sonhos mais ásperos estavam lá
Seu dia cantando lhes fez retornar.

Que mente confusa que o bardo tem
falando de mundos e vidas além
querendo pensar nos deuses de antes
falando de coisas que eram distantes.

Olhava em volta naquela solidão
quando mais alguém lhe tocou a mão.
Não estava sozinho, era uma multidão
de cegos famintos por sua canção.

Darvius Alexandros III
O Bardo Louco

sexta-feira, 2 de maio de 2008

O Bardo Cego

Com som da chuva
tais notas soaram
das mãos de um velho bardo.

As notas tão tristes,
lá-menor entoadas,
pelo vento foram levadas.

Além dos muros foram voar,
além dos muros foram cantar,
além de tudo foram mostrar,
que o bardo ainda é lei.

Cantadas por um cego
que não ousa ver
apenas deseja sentir.

O fluir da vida
ele vai temer
se os olhos um dia abrir.

Na escuridão
de sua razão
o bardo ainda à sorrir.

Na ilusão
do que há de vir
o bardo ainda canta feliz.

Não há como negar
o bardo está a cantar
as leis de tudo que se criou
na visão de quem ganhou.

O bando é velho,
além do tempo,
sabe o que conheceu.

O bardo é cego
mas já viveu
e o mundo já conheceu,

A vida já não quer mais
pois tudo o que viu morreu.
E como o tempo e o vento,
seu brilho já se perdeu.

Darvius Alexandros III
O Bardo Louco

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Uma Amiga

A chuva forte fustigava a existência da cidadela: Há muito que as noites naquela pequena cidade fortificada não eram a mesma. Dos muros altos de pedra branca, soldados em cansadas armaduras sustentavam em seus peitos um arranhado brasão de uma fera há muito extinta. Eles cantarolavam durante sua patrulha:
"Nightfall!
Quietly crept in and change us all...
Nightfall!
Quietly crept in and change us all...
Nightfall!
Immortal land lies down in agony..."

A chuva já não incomodava por causa do hidromel, e a cantoria continuava cada vez mais alta, quando da escada mais próxima, um homem envolto em um manto grosso se aproximou assobiando uma velha canção de outras terras. A medida que ele passava, deixava pegadas negras e uma estranha sensação de vazio e esquecimento. Ele se sentou em uma cadeira próxima e passou a fitar a cada um dos que ali estavam presentes. Sua voz era rouca e gasta e todos lhe deram suprema atenção:

"Não se incomodem, não parem. Estou aqui apenas aguardando uma amiga. Mas ela vêm logo, vem sim."

Todos voltaram imediatamente aos seus afazeres, como se o homem não estivesse lá. Talvez de fato não estivesse. Passado um breve instante, um suspiro ou uma piscadela, um elfo, já sobre a muralha gritou exaltado:

"A floresta está queimando! Está queimando! O Mago vermelho está aqui!"

E nessa hora uma enorme bola de fogo subiu pela muralha, banhando em chamas cada canto da pequena vila, devorando à todos e deixando vivo apenas o homem sentado. De repente, das chamas, uma mulher de pele prateada como a lua e com os olhos mais negros do que o próprio vazio se aproximou, com seus cabelos púrpura esvoaçando com as chamas. Ao chegar próximo ao homem, lhe disse em voz calma e melodiosa:

"Keen, o Deus da Guerra."

E o homem, se levantando todo sorridente, lhe disse em retribuição:

"Tenebra, a Deusa dos Mortos."

Ambos sorriram e começaram a coletar almas.


Darvius Alexandros III
O Bardo Louco