segunda-feira, 7 de abril de 2008

Uma Amiga

A chuva forte fustigava a existência da cidadela: Há muito que as noites naquela pequena cidade fortificada não eram a mesma. Dos muros altos de pedra branca, soldados em cansadas armaduras sustentavam em seus peitos um arranhado brasão de uma fera há muito extinta. Eles cantarolavam durante sua patrulha:
"Nightfall!
Quietly crept in and change us all...
Nightfall!
Quietly crept in and change us all...
Nightfall!
Immortal land lies down in agony..."

A chuva já não incomodava por causa do hidromel, e a cantoria continuava cada vez mais alta, quando da escada mais próxima, um homem envolto em um manto grosso se aproximou assobiando uma velha canção de outras terras. A medida que ele passava, deixava pegadas negras e uma estranha sensação de vazio e esquecimento. Ele se sentou em uma cadeira próxima e passou a fitar a cada um dos que ali estavam presentes. Sua voz era rouca e gasta e todos lhe deram suprema atenção:

"Não se incomodem, não parem. Estou aqui apenas aguardando uma amiga. Mas ela vêm logo, vem sim."

Todos voltaram imediatamente aos seus afazeres, como se o homem não estivesse lá. Talvez de fato não estivesse. Passado um breve instante, um suspiro ou uma piscadela, um elfo, já sobre a muralha gritou exaltado:

"A floresta está queimando! Está queimando! O Mago vermelho está aqui!"

E nessa hora uma enorme bola de fogo subiu pela muralha, banhando em chamas cada canto da pequena vila, devorando à todos e deixando vivo apenas o homem sentado. De repente, das chamas, uma mulher de pele prateada como a lua e com os olhos mais negros do que o próprio vazio se aproximou, com seus cabelos púrpura esvoaçando com as chamas. Ao chegar próximo ao homem, lhe disse em voz calma e melodiosa:

"Keen, o Deus da Guerra."

E o homem, se levantando todo sorridente, lhe disse em retribuição:

"Tenebra, a Deusa dos Mortos."

Ambos sorriram e começaram a coletar almas.


Darvius Alexandros III
O Bardo Louco