Os tambores rufaram naquela tarde no distante reino de Alaberta. Do horizonte, a poeira subia, tampando o sol. De dentro da paliçada, quatrocentos homens aguardavam com suas lanças à pique enquanto outros duzentos e cinqüenta montavam explendorosos cavalos brancos, os mais belos de todo o Sudeste. Os estandartes dourados da cidade gaulesa brilhavam ao sol, que aos poucos foi tampado pela poeira de mil cavaleiros. Os portões se abriram, e os lanceiros se colocaram em formação fechada, apenas esperando por seu destino. Entre eles, o Bardo líder desfilou por um momento e falou a todos que o olhavam preocupados com o tremer da terra:
"Hoje os Deuses não estão do nosso lado. Perdemos centenas de homens na nossa cidade de Lacarta e eu, ferido como estou, sinto somente o que posso sentir: É aqui que encontraremos nossos destinos, aqui pereceremos em história e aqui nos guardará o tempo, nesta batalha que lutaremos. Mas nosso oponente é um fraco de espirito. Os feitos dele serão esquecidos com o tempo, mas os nossos, serão marcados nos grandes monumentos dessa terra, e sobreviverão à ira dos Deuses, e viverão para todo o sempre como em nossas almas! Vamos homens! Nosso clã de sangue espera noticias nossas!"
Os guerreiros urraram. Todos sabiam que aquele exercito havia sido marcado pela morte e que em seu fim, encontrariam inimigos sedentos por vingança. Alaberta teria que resistir novamente às areias do tempo sem seu herói, que já tombara em muitas outras ocasiões.
Quando a poeira tampou o sol, quando toda a areia do deserto subiu para dar espaço aos cavaleiros que corriam desvairadamente, o estandarte vermelho sangue do clã inimigo se revelou: Os Vírus queriam Alabertta.
Os estandartes dourados dos Senhores da Gloria, com o simbolo do clã Gloria Dominus, pararam de brilhar, e com um grande clarão de fúria, a grande batalha começou. O sangue dos Alabertanos jorrou ao solo sagrado, enquanto esses derrubavam em fúria os cavaleiros do inimigo oculto. Os cavaleiros escondidos em suas muralhas, partiram para o flanco inimigo, lançando suas mais poderosas magias, mas o número é um fator cruel. Nem mesmo flaqueados os cavaleiros de Serket pereciam em números enormes. Antes que o Bardo se desse conta, já estavam em Alaberta os seus terriveis inimigos. A cidade fora saqueada rápidamente, algumas partes foram queimadas, mas aos olhos do Heroi Bardo, tudo isso era o fim. Com uma lágrima escorrendo por seu rosto, o Bardo atacou ferozmente as centenas de cavaleiros que recuavam com seus trofeus, e sua profecia de antes se consolidou. Com igual ferocidade, uma lança cortou o peito do Bardo, que caido de joelhos, olhou para os céus, em busca de seus deuses, e de lá, viu apenas o faiscar da Lua, que ja mostrava seus dominios.
Assim caiu o Bardo Líder de Alaberta. Assim o Império de Alaberta entrou nas trevas de sua existência.
Darvius Alexandros III
O Bardo Louco