Parte três do conto. Estamos quase avistando os limites da cidade, mas ainda não sabemos. Divirtam-se e boa sorte para o nosso calmo herói.
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Seis dias. Uma noite gélida me congelava os ossos. Meus mantos eram grossos, mas ali, lidávamos com os dedos de Tenebra, a deusa da noite, que sempre penetrava fundo na carne, deixando os homens com medo e frio.
A fogueira teimava em permanecer acesa, enquanto a lua seguia o seu caminho pelo seu mais estrelado que alguém poderia ver. Ah, se Tenebra fosse menos cruel com as criaturas desse deserto, talvez eu lhe desse uma chance e passaria a olhar mais para a lua. Essa seria a noite em que eu devia dormir. Como ventava um pouco, eu sabia que seria acordado diversas vezes.
Meus olhos abriram a tempo de ver o último faiscar da fogueira. Mas não fora isso que me acordara. Mais à frente, próximo dos meus suprimentos, havia dois vultos baixos, com pele macilenta e cinza. Eram orcs. Ratos sorrateiros que nunca andam em menos de cinco. Nunca tive problemas em negociar com eles. Eu disse lentamente, enquanto levantava com minha espada em mãos:
“Vocês estão de saída?”
Eles viraram rapidamente, enquanto de trás dos suprimentos, mais duas cabeças disformes e acinzentadas se mostraram. O mais alto, com pouco mais de 1.5 metro de altura disse com uma voz esganiçada:
“Cuide de sua boca, humano, enquanto ainda pode.”
Retirei o manto de minha face e meus cabelos esvoaçaram com o vento. A lua me dava uma visão perfeita dos quatro. Eram magros, aparentemente famintos. Seria fácil pegar eles. Apanhei minha adaga em minhas botas, e o líder avançou um pouco, dizendo confiante:
“Não faça isso, humano, não seja idiota!”
Olhei-o enquanto me erguia com a adaga pronta para o arremesso e disse:
“Você não era um bom líder.”
A adaga cortou o ar. Por um instante, a lua foi carregada pelo reflexo em sua lâmina e aquele objeto brilhante acertou em cheio a garganta do orc que liderava. Esse apenas balbuciou alguma coisa antes de cair inerte ao solo:
“Pronto, seu líder está morto. Agora saiam daqui. Agora.”
Os três me olharam, pegaram alguns objetos e começaram a andar:
“Sem levar nada!”
Isso me irrita. Você dá a chance a criaturas que mal merecem a vida de poder continuar no mundo e elas retribuem com um gesto dos mais baixos. Isso realmente me irrita e quando isso acontece, tenho problemas em saber quando parar. Alias, geralmente, só percebo que deveria parar quando tudo acabou.
Por um momento, meus olhos se fecharam. Havia um peso morto na ponta de minha espada e eu sentia minhas mãos molhadas por algo viscoso. Acontecera novamente. Os três góblins estavam mortos. Cruelmente rechaçados pelo meu acesso de fúria. A areia estava revirada e coberta de sangue. Era hora de seguir em frente. O sangue atrai coisas muito perigosas no deserto de Lamnor.
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