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Pois recebi o primeiro pagamento. Na verdade, o ouro que posso gastar antes da viajem e que me fará lembrar o quanto fui feliz antes de morrer no deserto. Naquela tarde escaldante, doei metade dos meus mil e seiscentos tibares para a construção e manutenção de um novo posso para a cidade. O restante eu usei para reparar minha armadura. Caro? Nem ou pouco. Levando em conta que um tibar paga a minha estadia em uma taverna realmente luxuosa, oitocentos tibares seriam muito bem gastos na manutenção de minha armadura. Ela é feita de mithril, um raro metal por esses lados. Leve como uma pluma, mas com uma resistência ainda maior do que o aço, minha armadura de placas sofreu muito com minhas últimas missões. Armadura reparada, poços financiados, grupo reestruturado, eu resolvi partir para uma das missões mais longas de minha vida.
Montar um camelo é desagradável, mas me acostumei. À minha frente, vejo dunas, uma árvore seca bem no horizonte e um céu azul. Em pleno meio-dia, é insanidade sair para o deserto. Não questione minha sanidade. Levantei o turbante que por um momento passou a cobrir meu rosto e dei uma última olhada ao infinito que me separava de Magnólia. O suor já caía por minhas faces cobertas por uma manta de algodão grosso. Na sela do camelo, eu sentia próximas à minha perna esquerda, duas lanças de madeira, que já me salvaram algumas vezes. Em minha bota, tenho minha pequena adaga. Minha bainha com a espada está logo acima de onde coloquei as lanças e por precaução, um arco cruza minhas costas à frente de uma aljava com vinte e cinco flechas. Estava vestindo minha armadura e esta estava coberta por uma capa. Não é seguro ser um ponto brilhante naquele deserto.
Assim, eu e meus dois camelos nos distanciamos dos muros da cidade, rumando ao horizonte, minha cabeça já pesada pela intensidade do sol. Mas eu agüentaria. Os Deuses não deixariam o único herói de Lamnor morrer.
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Continua na parte 3. Não é grande. Prometo que acaba logo.