segunda-feira, 7 de abril de 2008

Mais um dia na roda do mundo. A mortalidade me parece um negócio justo. Talvez, toda a magia do viver se resume de que uma hora morremos. Alias, somos invejados por isso. Os Deuses nos invejam por mudarmos nossos caminhos, bem, mal, justo, leal... Somos mutáveis sim e pagamos isso com nossas vidas. Os imortais, ah, esses invejam sim. Invejam pois nós não temos que ver tudo a nossa volta ficar velho e morrer, a madeira apodrecer e o conhecimento se esvair com nossa senilidade eterna. Sim, a morte é um bom negócio. Assinamos ao nascer com nosso sangue e um pequeno pedaço de nossas almas... O pedaço que representa tudo que aprendemos, ganhamos e vivemos nesse mundo. Um preço justo para ser efêmero. Talvez ainda esperemos para nos reerguermos em um futuro distante ao som do fim do mundo, ou então nos foi reservado um novo corpo, ou ainda, viveremos para sempre vagando na mente do grande pensador ou até mesmo seremos guiados ao vazio total. Mas não temos que nos preocupar com isso. Estava no contrato que assinamos ao nascer. Nós lemos. Nós sabemos. Pensamos por tanto tempo pra descobrir, adquirimos tanta certeza no resultado ao qual chegamos que hoje ele é verdade. Não me conformo com os que aceitaram uma resposta pronta ao seu destino. Ninguém foi traçado partindo de um molde. Por que seu final seria tão simples?
Invejo a todos os que aceitaram sem pensar uma convicção. O começo da vida e a morte são tão simples para eles, jamais pensam em outra coisa. Seguem sua curta vida pensando no hoje, no amanhã... Mas jamais se incomodaram em pensar no final. Alias, é tolice pensar em algo que representa fim da nossa existência. Mas sou tolo. Sou um bardo louco e desde muitas eras eu penso nisso. E desde muitas eras encontro o mesmo fim, com a mesma resposta: Não valeu a pena.
Nessa vida, o que já vivi me deixou cortes por toda a eternidade. Mas sei que na morte, esses cortes serão cauterizados para que as cicatrizes se mostrem em minha próxima existência e novamente eu pense em como fui parar lá. A mortalidade realmente é um bom negócio.

Darvius Alexandros III
O Bardo das Trevas