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quinta-feira, 15 de maio de 2008

Os Mortos de Lagonshair – A Vitima de Tenebra

Notas atuais: Segue o conto Os Mortos de Lagonshair. Gosto dele, mas preciso achar ele com todas as partes. Segue-se inclusive a nota original de quando ele foi publicado pela primeira vez no site Casa do Necromante no ano de sua autoria.

Notas do Bardo: Salve pessoal! Esse conto foi outro daqueles onde Tenebra me auxiliou
durante duas noites e nelas, foram escritas mais de 16 páginas, por isso eu o dividirei em alguns capítulos para proporcionar uma leitura, digamos, mais prazerosa. Espero que gostem!


Abraços

Dárvius Alexandros III, O Bardo das Trevas

Os Mortos de Lagonshair

Capitulo 1 – A Vitima de Tenebra

A noite caía e com ela a chuva. As gotas escorriam vermelhas para o solo após atingir o vulto que se estacava na clareira. O vulto se ajoelha e as gotas cessam imediatamente, enquanto uma luz azul começa a emanar do corpo envolto em um manto negro. Seu rosto e seus olhos refletem a luz e se vê que é alguém jovem. A luz se intensifica, fazendo com que os pássaros da proximidade levantassem vôo, e, em seguida, guia-se para o céu, iluminando a região e buscando o infinito. Um baque. O corpo do jovem jaz no chão, e ao seu lado um rolo de pergaminho.

***

O tempo passou, levou vários dias e várias noites, várias chuvas e varias vidas e como de costume, trouxe novas esperanças e com elas novos pesadelos.
O sol brilhava e realçava o orvalho nas folhas das árvores, que balançavam num ritmado compasso com o vento.
Observando tais belezas um jovem caminhava cuidadosamente pelas árvores, com medo de quebrar a harmonia. Vestia roupas leves, de cor marrom. Por sua delicadeza e brilho, obviamente fora feita por elfos como seu dono, um elfo de cabelos azuis escuros e olhos de um azul ainda mais escuro.
Ele parou por um segundo e recostou-se sobre uma árvore, um mogno, retirou sua mochila das costas e colocou-a no chão. Olhoando para o céu, suspirou e jogou-se sentado ao solo, revirando em seguida, sua bolsa e pegando uma pequena flauta com a qual tocou uma melodia que ecoou pela floresta. As horas agora passavam, seguindo um novo ritmo. A calma melodia fazia a floresta se aprofundar na poderosa arte do silencio, filosofando a clareza dos recentes acontecimentos.
De olhos fechados, o elfo não pôde reparar que um vulto se aproximava, apoiando-se nas árvores. Apesar de mancar, ele era silencioso, até o ponto em que caiu ao chão, quebrando a melodia e fazendo com que o elfo levantasse e se aproximasse com cautela.
Ele rodeou o vulto caído com a mão na bainha da sua espada, até ter certeza de que não era um goblin ou algo do tipo e em seguida ajudou o vulto a se apoiar de costas em uma árvore.
Após oferecer água ao vulto, que bebeu tudo rapidamente, o elfo reparou uma aura negra em volta do vulto, o que impedia a revelação da sua face.
-Você está bem?
E a resposta tardou a vir em uma abafada:
-Faz tempo que não vejo alguém.
-Estás perdido...?
E o vulto lhe interrompe:
-Tenho... que avisá-los do perigo...
-Avisar a quem?
-À vila... o mago pode estar... pode voltar.
Nesse momento, o elfo retirou a capa de modo a mostrar o resto do corpo do vulto, e em suas pernas ele pode ver cortes profundos e de cerca de 5 cm de comprimento, já bem infeccionados ou em estado de putrefação. O elfo parou os olhos nos ferimentos e em seguida olhou para a face do vulto, agora sem a capa que lhe ocultava a face, e ele pode ver a face ferida e mutilada de um garoto, com cabelos negros e uma luz azul fraca saindo das órbitas vazias dos seus olhos. Ao ver isso, o elfo arremessou-o para longe e levantou com a espada na mão.
Gotas de suor escorriam por sua face, enquanto ele apertava o punho da sua espada e via o jovem se levantar lentamente. O garoto deu alguns passos e disse:
-Por favor... avise a vila! Só quero ajudar...
E o elfo respondeu com uma voz trêmula:
-Afaste-se criatura das trevas!
-Não... Não consigo... Argh!!
O elfo brandiu a espada e deu dois longos paços para trás e derramou uma lágrima, dizendo:
-Esse é o último aviso!
Esperou a resposta do volto, e após derramar mais lagrimas, murmurou, enquanto avançava para a luta:
-Que Khalmir guie sua atormentada alma.
E com um rápido movimento, ele decepou a cabeça do jovem, que caiu rapidamente ao solo, onde as luzes se apagaram junto com o ultimo sopro da sua alma.
O elfo caiu de joelhos, de cabeça baixa e derramou lagrimas pela alma do garoto. Chorou muito, pois havia matado um garoto inocente. Nada pôde fazer para ajudá-lo. Maldita Tenebra, que não foi capaz de controlar e proteger uma vitima dos seus servos!
O maximo que ele pode fazer foi um enterro decente para o jovem rapaz, e na lápide de madeira ele apenas escreveu “Vitima de Tenebra”.
Já era noite quando ele decidiu partir para a vila, e assim o fez, acompanhado de perto por Tenebra e seus “servos”.
Já havia andado um bom tempo quando ele reparou em pequenos olhos azuis no horizonte e ele, temendo saber o que era, desviou-se um pouco da estrada, mas voltou a avistar vários olhos azuis em meio à escuridão.
Decidiu voltar para floresta, onde estaria seguro, mas ao virar para trás havia três homens, mal vestidos de cabeça baixa, barrando lhe a passagem.
Ele empunhou a espada e gritou:
-Afastem-se!
Os elementos apenas levantaram a cabeça, mostrando rostos mutilados e luzes azuis saindo das órbitas oculares, que já não possuíam os órgãos da visão.
Novamente ele teria que matar? Matar para viver. Ele avançou um pouco e voltou a gritar:
-Afastem-se, malditas criaturas!
Dessa vez a resposta veio em forma de ação. Um deles sacou uma faca e desta vez, o elfo não teve piedade.
Ele avançou em direção dos três e fincou a espada no peito de um deles, retirando a espada em seguida, a ponto de defender uma facada, mas enquanto lutava com os dois restantes, sentiu uma mão fria e pegajosa segurar-lhe o pescoço com força e arremessá-lo para longe. Ele levantou meio cambaleante e viu que os três homens, inclusive o ferido, continuavam de pé, caminhando em sua direção.
Ele correu e num movimento rápido, decepou o da direita, socou o da esquerda e tentou defender a facada do terceiro, mas esta escapou da sua espada e lhe fez um talho no peito.
Suas vestes se encharcavam e ele ficava tonto, mas ele resistiu. Com uma mão no ferimento e a outra na espada ele cravou a espada na face do da direita, enquanto acompanhava um golpe por baixo do terceiro, que lhe cravou a faca no peito, empurrando-o para trás.
O elfo cambaleou e tudo ficou lento. A espada escorregou lentamente da sua mão, a mesma mão que depois retirou a faca sem dono de seu peito. Ele olhou para frente, com a boca aberta e as pupilas dilatadas e viu o vulto que lhe matara. O vulto que parecia rir, o vulto...

Continua...

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Uma Amiga

A chuva forte fustigava a existência da cidadela: Há muito que as noites naquela pequena cidade fortificada não eram a mesma. Dos muros altos de pedra branca, soldados em cansadas armaduras sustentavam em seus peitos um arranhado brasão de uma fera há muito extinta. Eles cantarolavam durante sua patrulha:
"Nightfall!
Quietly crept in and change us all...
Nightfall!
Quietly crept in and change us all...
Nightfall!
Immortal land lies down in agony..."

A chuva já não incomodava por causa do hidromel, e a cantoria continuava cada vez mais alta, quando da escada mais próxima, um homem envolto em um manto grosso se aproximou assobiando uma velha canção de outras terras. A medida que ele passava, deixava pegadas negras e uma estranha sensação de vazio e esquecimento. Ele se sentou em uma cadeira próxima e passou a fitar a cada um dos que ali estavam presentes. Sua voz era rouca e gasta e todos lhe deram suprema atenção:

"Não se incomodem, não parem. Estou aqui apenas aguardando uma amiga. Mas ela vêm logo, vem sim."

Todos voltaram imediatamente aos seus afazeres, como se o homem não estivesse lá. Talvez de fato não estivesse. Passado um breve instante, um suspiro ou uma piscadela, um elfo, já sobre a muralha gritou exaltado:

"A floresta está queimando! Está queimando! O Mago vermelho está aqui!"

E nessa hora uma enorme bola de fogo subiu pela muralha, banhando em chamas cada canto da pequena vila, devorando à todos e deixando vivo apenas o homem sentado. De repente, das chamas, uma mulher de pele prateada como a lua e com os olhos mais negros do que o próprio vazio se aproximou, com seus cabelos púrpura esvoaçando com as chamas. Ao chegar próximo ao homem, lhe disse em voz calma e melodiosa:

"Keen, o Deus da Guerra."

E o homem, se levantando todo sorridente, lhe disse em retribuição:

"Tenebra, a Deusa dos Mortos."

Ambos sorriram e começaram a coletar almas.


Darvius Alexandros III
O Bardo Louco