sexta-feira, 2 de maio de 2008

O Bardo Cego

Com som da chuva
tais notas soaram
das mãos de um velho bardo.

As notas tão tristes,
lá-menor entoadas,
pelo vento foram levadas.

Além dos muros foram voar,
além dos muros foram cantar,
além de tudo foram mostrar,
que o bardo ainda é lei.

Cantadas por um cego
que não ousa ver
apenas deseja sentir.

O fluir da vida
ele vai temer
se os olhos um dia abrir.

Na escuridão
de sua razão
o bardo ainda à sorrir.

Na ilusão
do que há de vir
o bardo ainda canta feliz.

Não há como negar
o bardo está a cantar
as leis de tudo que se criou
na visão de quem ganhou.

O bando é velho,
além do tempo,
sabe o que conheceu.

O bardo é cego
mas já viveu
e o mundo já conheceu,

A vida já não quer mais
pois tudo o que viu morreu.
E como o tempo e o vento,
seu brilho já se perdeu.

Darvius Alexandros III
O Bardo Louco