Caro leitor, já aviso que esse texto tem a intenção de levar do nada ao vazio vossas mentes. Já advertido, espero que leia até que o que eu disse se prove.
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Desisti de muitas coisas. Parei tantas coisas em suas metades que já não consigo acreditar que um dia acabarei alguma obra. Provavelmente o que eu fizer será tão ínfimo, que eu mesmo não reconhecerei minha pequena criação. Mas se for de verdadeira utilidade, pelo menos alguém a aceitará de bom grado. Já é um começo.
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Caro leitor, esse texto que se segue vem de uma profundidade de meu ser que jamais poderá ser entendida ou sequer violada por qualquer mente mortal que não me conheça. A colocação desse texto aqui foi um acaso, um acidente até, já que é o texto mais complexo que já pude escrever neste lugar infame cujas paredes contém meus pensamentos. Toda a verdade está por trás de faces conhecidas e de uma metódica escrita infantil que dá voltas. Se entendeste o que escrevi, você realmente se adentrou em meu mundo, em meus sonhos, em meus objetivos e no mais caótico lugar de todos: Minha mente.
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Hoje a lua sorriu para mim com sua face envolta na mais clara ilusão de que estou indo para o caminho certo. Parece que por ela pude ver que uma de minhas escolhas se mostrou mais certa do que jamais imaginei, e que provavelmente meu último objetivo esteja bem mais próximo do que os que planejei como secundários. Mas isso foi apenas um devaneio, causado pelo pouco tempo que vi a lua. Ó Tenebra, se falasses em línguas humanas, sei que me pediria para não me iludir, mas conheces, ó Dama da Noite, este bardo e suas paixões que começam e só acabam com uma canção. Se todas as canções até hoje foram tristes, fora tu, minha Eterna Musa de Branco, que tentou me proteger de algo. Muitas vezes demorei à entender, mas dessa vez, vou correr e não vou deixar passar. Não há tantas flores que brilham na noite assim como não há tantas noites que brilham para o bardo. Apenas vou cantarolante, com a velha esperança rota que tenho e espero muito, bem mais do que costumo me permitir. Espero não estar errado, alias, espero não ter sido iludido pelo deus louco e estar em mais um joguete de suas manipulações. Mas se a Deusa me olhou nos olhos apenas para me dizer que nada criou com a tal beleza daquela musa, eu prefiro então seguir o caminho que me foi traçado. Serei sugado até a alma para esse vortex de minha paixão. Sei que nada sei, sei que nada ganharei. Mas sei que se perder uma oportunidade única dessas, minha vida de espera por tal magia terá sido em vão. Sei que nunca terei o que penso, mas estou perto de conseguir algo tão perfeito quanto e melhor: Intocado pela sujeira de minha alma através dos tempos. Uma vez me disseram: "Recomece." e eu aceitei jogar fora o adorno celta que amarrava minha alma e vim me juntar aos fiéis que há tempos usaram seu lábaro para meu fim. E aqui estou, recomeçando e cantando como sempre fiz, e dessa vez, correndo pelo novo e o desconhecido: Por um amor único que nunca pensei ter e que mesmo sem minha aceitação, corre em minhas veias e me leva a lutar por sua existência. Apenas acredito nisso. Apenas acredito.
Darvius Alexandros III
O Bardo das Trevas