sexta-feira, 27 de março de 2009

Caro amigo lá de fora...

Resposta a um grande amigo... Pena que não seja a altura do mestre que ele é com as palavras. Um portal tão pequeno para um homem tão grande... Acontece.

Caro amigo lá de fora
Se te escrevo, passou da hora
De deixar de desistir.

Pensava na vida vivida,
nas almas levadas
e nas noites perdidas...

Tempo de horas felizes,
risadas melancólicas
solidões sem fim.

Talvez tudo valha à pena,
Mas há esta hora,
este trem já perdi.

Só penso nos dias mais cinzas
Nas sombras cortantes
dos becos sem fim.

Se sinto a perda dos dias,
minha vida vazia
guinadas a vir,

é porque gastei todo o tempo
roendo os longos momentos
de medos coesos

de perder tudo que me inspira,
de perder o vazio,
de não ver mais becos

de ler palavras lindas
sem ter emoção
ceder à razão

me tornar um exato
perdido em números
cercado de túmulos

de mentes passadas
de tempos vencidos
de rotas traçadas

perder a ânsia
do choro prendido
da escrita forçada

não escrever cartas,
não mais sonhar...
jamais imaginar

futuros distantes,
folhas caindo...
terras que voam...

Um dilema doído:
a felicidade da vida
ou os sonhos...

Sonhos demais, talvez seja isso...

Darvius Alexandros III
O Bardo Louco