Logs de um experimento iniciado na década de 70 nos Estados Unidos, em abrigos nucleares criados com o propósito de proteger a população, porém, utilizados em testes de cunho social e psicológico. Os abrigos, criados e mantidos pela Vault Tec, são programados para se abrirem após um tempo determinado, no caso, em 10 anos. Todo o conteúdo é ficcional, qualquer semelhança com personagens reais, reações reais ou com lugares reais é pura coincidência. O conteúdo se baseia na série Fallout (google it).
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Experimento Vault 18
Objeto: Milles, J.
Idade: 23 anos.
Contato com o mundo externo: Esteve em Berlin duas vezes para atender um paciente.
Problemas de saúde: Categoria de alergias A.
Vícios: Cigarro, carne.
Condição Física: Mediano Atlético.
Formação: Bacharel em Psicologia – MIT.
Conhecimento Lingüístico Relevante: Inglês e Alemão.
Condição social: Desenvolvida e não estável.
Localização: Vault 18.
Equipamento: Cama, saneamento, alimentação remota e um terminal de comunicação sem conexão externa.
Observações: Ficha de instruções e todo o conteúdo escrito do Vault em Russo. Ocasionais apresentações de Russo básico no terminal por meio de texto. Fixa com equação cujo resultado mostrará a quantidade em dias do confinamento: Resultado: Infinito.
Objetivos: Analisar o progresso de um indivíduo de mentalidade superior à média ao lidar com o confinamento solitário e sua interação com o ambiente restrito. Verificação da capacidade do subconsciente de desenvolver conhecimento em áreas não dominadas à partir da tentativa e do erro. Verificação da evolução do relógio biológico na ausência de contato exterior.
Tempo estimado de experimento: Dez anos.
Objeto possui conhecimento das condições em que se envolve: Não.
Segue em anexo os dados de entrada no terminal, do primeiro para o último. Como as entradas eram constantes, o tempo em que o terminal permanecia ligado foi restrito ao uso mensal após os primeiros três dias.
Dia 1, Mês 0, Ano 0:
Entradas no terminal:
Malditos! Uma paciente em um abrigo nuclear?! Tirem-me daqui, conheço meus direitos.
[fim]
Vocês são loucos, não são? Estão me dando comida? Vão me manter aqui?
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A comida estava horrível, vocês são péssimos seqüestradores. Contatem minha família no 555-3985 e digam seu preço.
[fim]
Dia 2, Mês 0, Ano 0:
Relevâncias: O objeto analisou todo o Vault.
Entradas no terminal:
Não vou usar este banheiro. Nunca.
[fim]
A janta estava horrível. Já devem ter falado com a minha família, não é?
[fim]
Curiosidade: Porque está tudo EM RUSSO! Que porra de pessoa faz um abrigo todo decorado com o selo daqueles socialistas imundos?! IDIOTAS!
[fim]
Dia 3, Mês 0, Ano 0:
Relevâncias: O terminal exibiu sua primeira aula “Russo para Idiotas”.
Entrada pelo terminal:
Acordei mais cedo, acho... Quero café. Quero saber as horas também. Acho que vocês estão fazendo algum tipo de terror psicológico e estão mudando o horário de minhas refeições. Não se preocupe, eu lido com loucos o tempo todo, não vão conseguir me influenciar.
[fim]
VOCÊS ESTÃO BRINCANDO?! SEUS SOVIÉTICOS MALDITOS, FILHOS DE GANÇAS COMUNISTAS, RESTOLHOS DA GUERRA!!! NUNCA VÃO PEGAR MINHA MENTE, NEM COM ESSA BABOSEIRA DE AULAS RUSSAS!
[fim]
[nota pos]
A idéia de pegar um republicano realmente foi bem pensada, já que podemos analisar o inicio de uma paranóia. Esperamos que ele não pare de aceitar comida, caso contrário, ele estará morto em dez anos.
[fim]
O que querem dizer com restrição do terminal?! Vão cortar minha única forma de comunicação? Acham que vão ter os segredos da América assim? Esperem sentados. Já conseguiram contato com a embaixada? Aposto que posso valer a troca com algum espião incompetente de vocês.
[fim]
Dia 3, Mês 1, Ano 0:
Relevâncias: Conseguimos mudar a percepção dele quanto ao horário da comida. Ele tentou raspar nos aço das paredes as notações dos dias e do próprio tempo, porém, era uma tarefa árdua e ele desistiu. Finalmente ele encontrou a equação.
Entrada no terminal:
Vocês me mantiveram aqui por um ANO! UM ANO! Aposto como a polícia está no calcanhar de vocês. Estranho como pensaram em tudo. Deram até uma equação para eu resolver, mas sou um PSICÓLOGO! Não sou um maldito físico. Essa equação é uma piada, certo? Não pode ser a data em que serei libertado, se bem que não sei nada sobre aqueles símbolos escrotos que têm lá. De qualquer forma, parem de bater nas paredes! PAREM! Ou serão os ratos? Vocês estão aí!?
[fim]
Já falei para colocarem no rabo esses desenhos de aprendizado russo. Não preciso de russo.
[fim]
Posso contar a minha vida aqui? Aposto que vocês querem saber.
[fim]
[nota pos]
Não foi constatado nenhum tipo de barulho por nossos microfones.
[fim]
Dia 3, Mês 2, Ano 0:
Relevâncias: O vídeo foi ligado apenas à cada semana. A mudança de horários na alimentação influenciou totalmente o relógio biológico do objeto. Em uma das “noites”, ele acordou gritando muito, o que se mostrou um padrão. Os “barulhos” realmente o incomodam profundamente. Ele passou a chutar valores na equação e está começando à entender a resposta. Sua atenção à aula de russo deu-lhe conhecimentos chaves para ler a placa de instruções.
Entradas no terminal:
TIREM-ME DAQUI! ESSES BARULHOS ME DÃO NOS NERVOS. CONTAREI TUDO, APENAS ME TIREM DAQUI. SEI QUE A RESPOSTA DA EQUAÇÃO É UM NÚMERO ENORME E SEI QUE SE OS BARULHOS CONTINUAREM, EU NÃO VOU RESISTIR!
[fim]
Dia 3, Mês 3, Ano 0:
Relevâncias: O objeto foi mantido no escuro durante esse mês. Não tivemos contato visual, porém, o objeto gritou até perder a voz.
Entradas no terminal:
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[fim*]
[nota pos]
O objeto esmurrou o teclado durante cerca de 4 horas seguidas, até cair exausto. O detector de lixos do terminal barrou os dados para poupas memória, por isso ocorreu o [fim*]
[fim]
Dia 3, Mês 4, Ano 0:
Relevâncias: O objeto parece estar aprendendo russo muito rapidamente, ou então, seu subconsciente foi forçado à ponto de lembrar de todas as aulas anteriores as quais ele desprezou. Ele começou à decifras a placa e está escrevendo as respostas com chocolate na parede.
Entradas no terminal:
Oi? Tem alguém ai fora? Alguém? O mundo acabou? Oi, não acabou não. Estou aqui. Quem é você? Sou Milles e você? Eu não me lembro direito. Porque estou aqui? Porque você foi mau. Lembra da bicicleta do Will? Lembro, mas não foi por mal! Você quase morreu. O trem quase pegou você. O céu está lindo, não é? É. Todo amarelo. Ataques nucleares fazem o mundo ficar amarelo. Doente. Sim, doente. Sua mãe, lembra? Sim, ficou doente. Mesmo, não é? E morreu. Jake também. Era um bom cão. O George sempre disse para não dar nome de gente para os cães, mas eu gostava de Jake. Ah! Eu sou o Jake, acho...
[fim*]
[nota pos]
Um diálogo! O subconsciente analisa o consciente e ambos acabam por de confundir! Uma pena termos poucos kilobits para armazenar o texto de 120 relatórios. A conversa durou até o fim do terminal!
[fim]
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[por favor, manuseie com cuidado as fitas magnéticas, dados danificados são perdidos! coloque no inicio do aquivo log_2]