A palavra liberdade é tão bela, carrega tantos valores, tantas batalhas, enfim, tanta história, que adoro pensar nela. A liberdade é livre pensar, é o ir e vir, e o escolher de todos, viver sem limites... Tudo isso em uma simples palavra.
Quem me dera ser livre. Alguns arriscariam dizer: "Ora, mas você estuda fora na melhor universidade do país, com certeza nada te impede de fazer o que você quer". Ledo engano de quem não me conhece.
Liberdade para pensar? Olhe o que escrevo e olhe o repúdio que sentes sempre que abre esta página! Isso é liberdade? Liberdade de expressão? Tanto trabalho para me encaixar na frívola etiqueta humana certamente não classificam a liberdade. Liberdade de ir e vir? De tempo? Sou um estudante, eu não deveria sequer estar aqui escrevendo tudo isso.
A única liberdade que possuo e que mais me agrada é em meus sonhos. Geralmente estou sozinho, num ambiente onde o horizonte não trás traços de humanidade (pelo menos, não de humanidade recente). Ando sozinho, ou com um cachorro ou amigo de muito tempo, e sempre (SEMPRE) estou armado. Seja com a Black Margot, criada para esses fins, seja com um velho fuzil ou rifle. As vezes, meu sonho ocorre comigo apenas vagando, as vezes visito cenários que já vi na ficção, e algumas vezes morro.
Para mim, há apenas duas coisas que posso chamar de liberdade: A morte e o contato extremo com o desolado da natureza. Meu sonhos sempre traçam uma linha muito fina entre ambas as formas de liberdade e de uma cosia tenho ceteza: Poucos dividem essa vontade comigo.
Um mundo sem relógios, onde o sobreviver já é mais do que o bastante. Onde o contato com a natureza é tão grande que, independente da fé, a natureza é uma força divina e deve ser respeitada.
Penso atualmente na Zone, uma porção próxima à uma antiga usina nuclear cujo reator se fundiu há vários anos. Aquele lugar desolado, misterioso, cheio de lembranças, porém, na auzência total da humanidade.
Não penses que quero o fim da humanidade. Apenas gosto da solidão ou de estar na presença de pessoas para quem não preciso atuar. Atuar é difícil e tem um custo enorme para o meu corpo e minha alma. Não consigo fazê-lo mais como eu gostaria.
Estou bem próximo do fundo do poço, ando controlando meu corpo como se minha alma não mais quisesse se mostrar ao mundo. Vou explodir, eu sei. Sei que não conseguirei repreender meu vício na forma mais extrema de sua existência e sei o tanto que isso é perigoso para os outros.
Por mais que eu esconda minha natureza real, no fundo, eu sei que não vou conseguir. Vamos rezar para que seja apenas mais um teatro, onde o público nem sonha que a peça tocada é a mais crua realidade. Preciso selecionar os atores com cuidado, muito cuidado, já que não tenho contato com os antigos atores.
Tudo muda exceto o bardo, já diziam as canções... Tudo muda exceto o bardo.
Darvius Alexandros III
O Bardo das Trevas