Manhãs como aquela foram feitas para os viajantes, aqueles cujas almas jamais encontravam a paz onde quer que estejam, exceto sob o brilho do sol rumo, rumando para um próximo lugar. O vento carregava as folhas em uma dança eterna e, justo delas, ia uma pessoa em sua viajem. O jovem não podia passar dos vinte anos, trajando uma pesada capa de viajem acinzentada por cima de suas roupas de algodão sem cor. Em seus pés, uma bota que há muito já fazia parte dele. Em sua cintura, uma gasta bainha denunciava uma espada detentora de muitas batalhas. O fardo em suas costas era leve para um viajante, ele possivelmente caçava muito bem. Seu rosto era antigo, cansado para um rapaz daquela idade. Seus cabelos mostravam algum cuidado e esvoaçavam com os picos de vento. Seu caminhar um tanto lento denunciava sua exaustão e sua expressão mostrava que o sol começava a cegar-lhe. Há muito que fugira de seu mundo. Deixara para trás sua casa, seus pais, parentes e os que um dia ele chamara de amigos. Olhava sempre para frente, deixando para trás tudo em que começava a dar valor. Seus amigos vinham e iam, a morte jamais fora de poupar esforços em lhe manter sozinho. Seu único sonho era o rumo que suas botas há muito indicavam. Jamais pegava estradas, jamais tivera um mapa, jamais carregara a ambição de ser famoso, um caçador de aventuras. Juntava-se com algumas pessoas por vez ou outra, porém, era sempre a mesma coisa. Por algum motivo, tudo à volta dele era marcado para a morte. Alguns vilarejos prometiam a cura para maldições, porém, todos estes curandeiros haviam falhado miseravelmente. Essa falha trazia a morte e, claro, os que o conheciam sabiam manter distância. Para o viajante só restava a sua jornada. Ele andava porque esperar a morte é algo complicado. Na verdade, ele apenas sabia que a sua vida era preciosa demais para a morte e, de tudo que ele já havia cedido, ele não cederia mais este prazer. Darvius Alexandros III O Bardo das Trevas