Olhe para trás, caro leitor, e veja quantas vezes pagamos com nossa vida por uma conquista. Veja quantos deram a vida para dominar os oceanos, quantos pereceram para alcançar o vôo perfeito e olhe nos rostos dos que morreram ao tentar tomar o espaço.
A vida é um preço pequeno demais para algumas conquistas. O que quero dizer é que há coisas pelas quais realmente fale a pena dar a vida em troca. Arriscar a vida por um vôo tripulado para fora de nosso planeta? Um preço justo. Arriscar a vida para sentir a liberdade dos ares? Mais do que justo. Dar a vida para conhecer as águas mais turvas? Não há como hesitar.
Na vida, uma das poucas coisas que podemos escolher é a forma da nossa morte. Morrer sem jamais ter vivido, sem jamais ter visto a liberdade nua em pêlo não é um preço pelo qual valha dar sua vida. Viver sem conhecer o mundo? Sem ter histórias? Sem se arriscar nunca? Essa é uma das poucas vezes que podemos nos dar o luxo de fazer tantas façanhas. Jogá-las todas fora apenas para poder morrer seguro não é sequer uma condição razoável de vida.
Como o leito sabe, existem poucas coisas que me fascinam de verdade e uma delas é o ar. Voar é, para mim, o auge da liberdade humana. Se sustentar no ar é uma experiência pela qual eu estaria disposto a dar minha vida. E não sou o único. Quantos pilotos fazem suas rotas sabendo que cada viagem poderá ser sua última? Vale a pena.
Nossa vida tem um valor muito ínfimo se comparada com as oportunidades que temos. Dar a vida por algo único é a garantia de ter vivido além do que muitos viveram. É a garantia de ter chegado no ínfimo limite entre a vida e a morte. Se sairmos com vida, pois bem. Se não, cruzamos o limite, fomos além.
Darvius Alexandros III
O Bardo Louco