sábado, 7 de junho de 2008

Desprezo Pelo Se.

Ao nada que sei me apego
ao que desprezo tento ver
sentir a cada segundo
algo novo para o meu viver
mas disso não tiro nada,
apenas continuo a caminhar.

Caminho sem rumo algum,
meu rumo é um abismo.
Caminho à lugar nenhum,
mas a morte eu cobiço.

Perco-me à cada dia,
a cada vaga em meu olhar,
a cada parte de carne sombria
que se sente sozinha com meu caminhar.

Se me mato aos poucos
é porque mais pretendo viver,
mas se de muito corro risco,
prefiro intensa e loucamente viver.

Se a minha existência se desprende
é porque há muito percebi
em meus vagos desvios existênciais
que à esse mundo já pertenci.

Mas foi há tanto tempo,
no tempo do velho rei.
Dessas terras, pouco recordo,
me arrisco em viver.

Se um pouco eu escrevo
é este meu veneno
que me liberta da vida e do corpo
minh'alma que tanto decai.

Se posso mudar meu destino,
então me levo para longe
do que já considerei ideal,
do que sei que me seria certo
e que hoje,
em meus sonhos,
sei que é errado.

Se algo como isso posso escrever,
moendo à lógica e à imaginação,
pois escrevo logo o que sinto
e o que me leva a viver.

Se hoje tenho lágrimas
é porque elas já foram
do mais puro carmesim
nos dias em que perdi minha causa
a calma de ir à um paraíso.

Se hoje posso sorrir
é porque tudo já perdi
e a cada segundo que me mato,
vivo o que me restou
como se eu jamais fosse
um dia
viver outra vez.